quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Desigualdade diminui, apesar da crise
Índice de Gini, que mede concentração de renda, caiu 4,1% entre janeiro e junho deste ano, segundo estudo do Ipea
SÃO PAULO - A crise econômica atual não aumentou a taxa de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil desde o último trimestre de 2008, aponta pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre desigualdade e pobreza no Brasil durante a crise internacional. De acordo com o levantamento, ao contrário dos períodos recentes de turbulência econômica (1982-83, 1989-90 e de 1998-99), nos quais a taxa de pobreza aumentou nos meses após a crise, na atual conjuntura esse fenômeno não foi observado. A desigualdade, medida pelo índice de Gini, também manteve sua trajetória de queda mesmo com o acirramento da crise internacional, destacou o instituto.
Análise da evolução da pobreza no país, de março de 2002 a junho de 2009, indicou tendência de queda em todas as seis regiões metropolitanas pesquisadas. No período, 4 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza, passando de 18,5 milhões em 2002 para 14,5 milhões em junho de 2009 – a metodologia identifica a pobreza pelo rendimento médio familiar per capita de até meio salário mínimo mensal.
De acordo com o Ipea, 42,5% do total da população das seis regiões metropolitanas pesquisadas se encontrava na faixa de pobreza em março de 2002, porcentual que caiu para 31,1% em junho de 2009, o que representa recuo de 26,8% na taxa de pobreza.
Entretanto, a velocidade da redução da taxa de pobreza é diferente nas áreas pesquisadas. As regiões metropolitanas de Belo Horizonte (35,5%), Porto Alegre (33,6%) e Rio de Janeiro (31,2%) diminuíram mais rapidamente a taxa de pobreza que a média nacional. Já nas regiões metropolitanas de São Paulo (25,2%), Salvador (23,9%) e Recife (14,1%), a queda foi menos intensa que a média nacional.
Entre 2002 e 2009, a região metropolitana do Rio de Janeiro foi a que registrou a maior redução no número de pobres, com 1,4 milhão de pessoas, seguida pelas regiões metropolitanas de São Paulo, com 1,3 milhão, e de Belo Horizonte, com 600 mil pessoas retiradas da condição de pobreza.
O índice de Gini – que varia de 0 a 1, em que 1 representa a desigualdade máxima – alcançou 0,493 em junho último, o seu menor patamar nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil, conforme dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice caiu 4,1% entre janeiro e junho deste ano, registrando a mais alta queda desde 2002, quando o IBGE introduziu esta metodologia na PME. Em março de 2002 o índice estava em 0,534, e caiu 7,6% até junho de 2009, quando ficou em 0,493. Ao comparar a média da desigualdade nos períodos de outubro de 2007 a junho de 2008 e de outubro de 2008 a junho de 2009, o índice de Gini apresentou queda de 0,4%.
O Ipea salientou que a contaminação da economia brasileira pela crise internacional, ocorrida no último trimestre de 2008, ocasionou uma redução no ritmo de produção e no nível de atividade, gerando desemprego como consequência. Entretanto, o instituto destaca que “as trajetórias convergentes de redução da desigualdade e da pobreza não foram, contudo, interrompidas, mesmo durante a crise internacional.”
Fonte: Gazeta do Povo